Casa Comum

Uma Igreja que se esquece de rezar pelo ambiente natural é uma Igreja que se recusa a oferecer comida e bebida à humanidade sofredora. Ao mesmo tempo, uma sociedade que ignora o mandato de cuidar de todos os homens é uma sociedade que maltrata a autêntica criação de Deus, da qual faz parte a natureza. A preocupação com o meio ambiente também implica preocupação com os problemas humanos da pobreza, da fome e da sede. Confira abaixo três aspectos da Visão Integral extraídos da primeira obra da coleção Amazonizar, Nossa Mãe Terracomo contribuição do Papa Francisco para uma ecologia integral 

 

Uma colaboração global (LS, n. 13) 

 O urgente desafio de proteger a nossa Casa Comum inclui a preocupação de unir toda a família humana na busca de um desenvolvimento sustentável e integral, pois sabemos que as coisas podem mudar. O Criador não nos abandona, nunca recua no seu projeto de amor, nem se arrepende de nos ter criado. A humanidade possui ainda a capacidade de colaborar na construção da nossa Casa Comum. Desejo agradecer, encorajar e manifestar apreço a quantos, nos mais variados setores da atividade humana, estão trabalhando para garantir a proteção da Casa que partilhamos. Uma especial gratidão é devida àqueles que lutam com vigor para resolver as dramáticas consequências da degradação ambiental na vida dos mais pobres do mundo. Os jovens exigem de nós uma mudança; interrogam-se sobre como se pode pretender construir um futuro melhor, sem pensar na crise do meio ambiente e nos sofrimentos dos excluídos.  

O valor do trabalho (LS, n. 124) 

 Em qualquer abordagem de ecologia integral que não exclua o ser humano, é indispensável incluir o valor do trabalho, tão sabiamente desenvolvido por São João Paulo II na sua Encíclica Laborem Excercens. Recordemos que, segundo a narração bíblica da criação, Deus colocou o ser humano no jardim recém-criado (Gn 2,15), não só para cuidar da criação (guardar), mas também para trabalhar nela a fim de que produzisse frutos (cultivar). Assim, os operários e os artesãos “fazem vigílias para concluir a obra” (Sr 38,29). Na realidade, a intervenção humana que favorece o desenvolvimento prudente da criação é a forma mais adequada de cuidar dela, porque implica colocar-se como instrumento de Deus para ajudar a fazer desabrochar as potencialidades que Ele mesmo inseriu nas coisas: “O Altíssimo faz sair da terra os medicamentos, e o homem sensato não os rejeita” (Sr 38,4).  

Cuidar do empréstimo dos nossos filhos 

 A terra nos foi confiada a fim de que possa ser para nós uma mãe, capaz de oferecer a cada um o que é necessário para viver. Certa vez, ouvi uma frase bonita: a Terra não é uma herança que nós recebemos dos nossos pais, mas um empréstimo que nos foi concedido pelos nossos filhos, para que nós a conservemos e a façamos progredir, e que depois lhes devemos restituir. A terra é generosa e nada faz faltar a quantos a preservam. A terra, que é mãe para todos, exige respeito; não violência ou, pior ainda, arrogância de senhores. Devemos restituí-la aos nossos filhos melhorada, preservada, porque se trata de um empréstimo que eles nos concederam. A atitude de preservação não é um compromisso exclusivo dos cristãos, mas diz respeito a todos. 

 

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